quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Jello Biafra, 18 anos depois

Rio de Janeiro, 1992. Durante as comemorações da ECO 92, há 18 anos atrás eu tinha 18 anos. Estudava jornalismo na ECO/UFRJ e assistia as aulas de filosofia no IFCS. A galera combinou de se encontrar e viemos andando do Largo de São Francisco até a praça dos Arcos, na Lapa onde Royal De Luxe fez uma apresentação avassaladora, seguida do show histórico do Mano Negra com a participação de Jello Biafra. O carismático ex-vocalista dos Dead Kennedys, conquista a platéia com seu discurso político engajado. Mais tarde, do outro lado da mesma Praça dos Arcos, Ratos de Porão se apresentou no Circo Voador, e João Gordo e seus fiéis seguidores foram honrados com mais uma participação histórica de Jello Biafra. Assisti pendurado nos ferros da estrutura, embaixo da arquibancada, com um liquidificador humano que sugava e moía as pessoas logo abaixo dos meus pés. Enquanto isso no palco, clássicos do Dead Kennedys eram adornados por stagedives homéricos, incluíndo do próprio Jello, que na primera vez voltou sem camisa e da segunda, com sua calça transformada em bermuda.



Teatro Odisséia, 2010. Jello Biafra retorna ao balneário carioca acompanhado de sua nova banda, The Guantánamo School of Medicine. Mais político do que sempre, Jello intercala as músicas com discursos inflamados (estranhamente o público preferiu que fossem em inglês ao invés de espanhol... vai entender). O jaleco de açougueiro e a provocativa camisa com a bandeira dos EUA que ele usava não resistiram ao clima quente do show, com ar condicionado e espaço reduzido do Teatro Odisséia. O momento mais emocionante, sem dúvida, foi o agradecimento ao saudoso amigo Renato Russo, que o recebeu na sua casa durante a Eco92, e em sua homenagem tocaram a nova "Never Give Up". A roda de pogo girava no máximo quando um maluco pula, ou melhor, dá um mosh do segundo andar! (depois do show, Rolinha, que conhecia o maluco, cumprimenta e dá as congratulações ao empolgado suicida. Aparentemente tudo bem com ele). Foram necessárias pelo menos umas três voltas ao palco pra saciar a sede de hardcore da galera, com a clássica "Moon Over Marin" entre as selecionadas pro bis. Sorte minha que mais da metade do público já estava botando os bofes pra fora e lá fui eu, gastar minhas últimas energias. Tudo bem, fiquei acumulando nos últimos 18 anos mesmo! Agora, se Jello Biafra levar o mesmo tempo pra voltar, dificilmente terei a mesma disposição com 54 anos de idade.



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